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Towards Home

A casa-família que se vai construindo.

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A casa-família que se vai construindo.

Levantar às 7:30

13
Jan09

É do mais profundo do meu ser que eu vos confesso, publicamente, um dos meus grandes ódios (daqueles de estimação) - acordar cedo.

É verdade! Sou assim...

O toque do despertador, na minha mente, assemelha-se ao grito desesperado de uma mulher histérica, quando depara com um um aranhiço no seu cabelo. E é com um histerismo destes que eu enfrento o amanhecer antes do meio-dia.

Ainda por cima, eu sou daquelas que só se levantam após o décimo toque do despertador e quando já não há mais margem de manobra para conseguir chegar a horas ao emprego;

daquelas que tomam banho no dia anterior, para não terem de o fazer de manhã e deixam a roupa organizada por ordem de vestir;

daquelas que vão à casa-de-banho fazer um xixi rápido e lavar a cara; que se vestem em 30 segundos, põem creme na cara, pegam num pão e saem a correr para os transportes a rezar para que não haja obstáculos no caminho até ao emprego;

daquelas que passam a vida a prometer que amanhã fazem a cama antes de sair de casa. E que acreditam que vai ser mesmo amanhã!

 

E, convenhamos que, se eu não acordasse com olheiras, se não tivesse aquela cara de quem precisava de, pelo menos, mais umas 10 horas de sono para ter bom aspecto, até nem havia problema. Só que eu não sou assim...

Acordo de olhos inchados, cabelo desgrenhado, mal-disposta e com vontade de matar alguém. E é, normalmente, assim que eu chego ao emprego todas as manhãs. Figurinhas!!!

Daí que a maquilhagem que a minha mãe insiste em me oferecer dure tempos infinitos, passa mesmo o prazo de validade, que a minha cara nunca exalte a beleza e juventude que deveria e que o meu quarto pareça um autêntico ninho de ratos no final da semana...

Até tenho vergonha...  e raiva! Raiva daquelas pessoas que tomam o pequeno-almoço sentadas, que chegam bem-humoradas ao emprego e que falam, sim que falam, antes das 8 da manhã.

Devia ser proíbido abrir a boca, no mínimo, até às dez da manhã. Assim é que dava tempo para os neurónios se adaptarem à luz que bate na cabeça e para perceberem que já é um novo dia e que não podem continuar refastelados no seu cantinho sem fazer nada. É que o resultado de os neurónios estarem refastelados até tarde pode ser desastroso para a imagem de qualquer um. Acreditem, porque fala a voz da experiência.

Acho que vou fazer uma petição para proibir o início do dia de trabalho antes do meio-dia. Assim sim, uma gaja mostrava o seu verdadeiro valor!

 

PS: E estão vocês a pensar: "E quer esta gaja ser mãe!" (e eu só posso dar-vos razão. Não sei como vai ser...)

 

14 anos

12
Jan09

Na sexta-feira, dia 9, fez 14 anos que eu comecei a namorar com o meu marido. É mesmo, 14 anos ... Até a mim me custa acreditar que já passou tanto tempo.

Éramos uns teenagers inconscientes,  ainda estudantes do ensino secundário. Fizemos tanta asneira juntos!

Mas essas asneiras e muitas outras coisas (mais ou menos correctas) por que passámos em conjunto ajudaram-nos a crescer, a construir um amor e uma relação cada vez mais fortes. Hoje, somos capazes de ultrapassar muitos obstáculos e de caminhar lado a lado, recebendo tudo de bom que a vida tem para nos dar.

Valeu e continua a valer a pena. Que venham mais 14 e mais 14 e mais 14.

 

Como eu não sei escrever estas coisas e os poetas servem mesmo para pôr em palavras bonitas o que nós tantas vezes sentimos, mas não sabemos dizer, deixo-vos aqui o poema, de António Osório, que dei a ler ao meu marido, não no dia 9, mas no dia de Natal:

 

Amando

 

 

Amando
fazemos juntos
o presépio,
com musgo, pinhas,
ervilhaca.

E ovelhas
procurando
pelos lábios
o campo
um do outro.

E pão, mel,
courelas
que renascem
da geada,
semoventes.

E o mesmo
hálito, calor
de dois animais,
nosso fazemos
aquele Filho.

 

Medicina de Loucos e Ossos do Ofício

08
Jan09

Hoje, no fim das aulas, fui a uma consulta de cirurgia vascular. A minha família tem uma história grande de problemas de varizes e má circulação e eu acho que não é má ideia de todo ir prevenindo o assunto.

Há meio ano, tinha ido a outro médico, que me deu medicação e disse que eu tinha de ser operada a uma veia com o exótico nome de safena (um nome giro para dar a uma menina).Como achei que ele estava a exagerar, nunca mais lá voltei.

Hoje, fui tentar ver se tinha uma segunda opinião e até saber se devo fazer alguma coisa durante a futura gravidez..

Resultado: 10 minutos de consulta. Quase que tive de obrigar o médico a observar-me e, segundo ele, não tenho nem varizes, nem má circulação, nem nada. As minhas pernas é que são pesadas e dão-me a sensação de cansaço.

Parvo do gajo - 1º chama-me gorda; depois, está à espera de ir jantar mais cedo e ainda leva mais de 100 euros em 10 minutos (mas eu não paguei tudo, graças ao seguro).

Em quem é que eu acredito: sou operada? ou não faço nada, porque eu é que ando a inventar doenças?

Isto é que nós estamos bem entregues!

 

Na escola, volta a papelada em força. Fui mais uma vez nomeada instrutora de 2 procedimentos disciplinares. Mais noites sem dormir a escrever relatórios.

Vou começar a pagar aos miúdos para não se portarem mal, pode ser que resulte.

É a altura certa?

06
Jan09

Pois é. Essa é e será sempre a minha grande dúvida. Apesar de eu achar que não fico sem emprego e que sou capaz de fazer qualquer coisa, a verdade é que essa sombra anda cá. E o maior problema continua a ser a estabilidade. Será que eu consigo ir para casa? Será que se eu vou conseguir dar uma vida sossegadita ao meu filho?

Não sei se já disse isto -  no dia em que fiz o teste de gravidez, verifiquei que, se tivesse mantido o concurso de professores como deveria, tinha ficado colocada perto de casa. Foi uma lufada de ar fresco. Era a primeira vez que isto me acontecia. Vi a luz ao fundo do túnel.

 

O meu problema com a decisão de engravidar é mesmo esse - saber se consigo ter uma vida rotineira e normal, onde haja espaço para uma criança.

Não é dinheiro - eu não tenho muito, mas se estiver à espera de ter, entro na menopausa... (Sim, porque, depois disso, eu vou ser rica, muito rica...);

Não é disposição, porque essa arranja-se de um momento para o outro;  

Não é ter a certeza de que vou ser boa mãe, porque eu sei que vou fazer o melhor que souber e mães perfeitas não existem (ou então são todas - depende do ponto de vista).

O meu problema é mesmo saber se consigo ter uma vida como toda a gente - tipo: dormir com o marido todas as noites, vir para nossa casa no fim de um  dia de trabalho, jantar numa mesa de cozinha e não na secretária do quarto, etc.

E se eu não consigo?

 

Por outro lado, penso que se engravidar, vou ser forçada a concorrer só para perto de casa (e não também para longe, onde acabo por ser colocada primeiro) e isso pode ser o motor da mudança.

 

E se as minhas gravidezes não tivessem acabado mal, eu já tinha uma criança de 4 anos e outra na barriga e a vida já se tinha organizado. Provavelmente já não seria professora (o que, nesta altura, nem me parece mal de todo. Ando mesmo desmotivada com o raio do emprego. Só vale mesmo pelos alunos).

E se torna a correr mal?

Só "ses"...

 

A verdade é que o relógio biológico está a funcionar e o desejo de tentar e de arriscar é muito. Será para o próximo ciclo o início das tentativas.

E a Abelha Maia diz que eu sou capaz de um novo reinício.

 

Bem, este post foi escrito para eu tentar pôr as ideias em ordem e ter mais certezas da minha decisão. Acho que não consegui e o texto vai tão baralhado como as minhas ideias.

Há-de ser o que for...

 

Lisboa

05
Jan09

No dia em que volto a Lisboa, sinto sempre esta tristeza. Volto a ficar sozinha e a solidão a que associo esta cidade faz-me mal.

Eu sei que Lisboa tem muitas coisas boas. Mas a Lisboa que eu conheço e que me cumprimenta todos os dias é cheia de pessoas com olhos tristes ou revoltados com a vida. 

É uma cidade com muita gente que teve poucas oportunidades na vida e que, também por isso, pouco esperam da vida e se refugiam numa maneira de estar agressiva e sempre ao ataque.

É uma cidade com avenidas largas e bonitas, mas também com ruas sujas, escuras, cheias de prédios degradados. E, infelizmente, foi sempre em ruas dessas que eu acabei por morar.

É uma cidade de contrastes e, para mim, a parte má é bastante mais visível do que a parte boa.

É claro que isto é uma visão pessoal e acresce o facto de, para mim, Lisboa significar estar longe de minha casa, do meu espaço e de essa ser mais uma razão  para eu não me sentir bem aqui. Por isso, peço desculpa a todos os lisboetas e a todos os amantes da cidade. Mas a verdade é que eu dava tudo para cá voltar só de férias, ou em visitas de um dia ou dois. Assim sim, Lisboa seria bonita para mim...

Revoltada

04
Jan09

Ó Inferno maldito; ó anjos cruéis: ó pecados meus que ando a pagar!!!!

Porquê? Porquê que temos de trabalhar para ganhar dinheiro?Por que é que o euromilhões não me sai mesmo sem eu jogar?

Eu não queria, juro que não queria, sair de casa para ir trabalhar amanhã.... São os 200 Km que mais me custam fazer. Ter que ir para um quarto frio, feio e solitário. Morar com pessoas que mal conheço. Passar as semanas sozinha... quando eu até tenho uma casita linda, o melhor marido do mundo e um gato muito preguiçoso, mas muito meiguinho para me fazerem companhia.

Este tem de ser o último ano fora. Se em Setembro não for colocada perto de casa, desisto do ensino. Vou trabalhar para o Continente, vou fazer limpezas, ou qualquer outra coisa; mas recuso-me a sair de casa outra vez! Nove anos já são demais.

Pronto, cheguei e disse.

 

E assim me confesso (Parte 2)

03
Jan09

Depois de ter perdido o bebé, fui à minha GO. Pedi-lhe que me passasse análises e ela fê-lo, só não mandou fazer o cariótipo, porque isso é só depois de 3 abortos :(

Os resultados ditam que está tudo normal. Se querem que eu vos diga, foi uma desilusão. Preferia que se tivesse encontrado um problema qualquer (desde que não fosse grave). Assim, eu partiria para uma terceira gravidez com medicação e/ou tratamento e ia mais segura. É que assim parece que vou saltar do trapézio sem rede, percebem?

A GO disse-me para esperar três ciclos e voltar a tentar.

A verdade é que a gravidez não tinha sido planeada e esta não seria bem a melhor altura para pensar nisso. Eu ainda não estou a trabalhar perto de casa e o N também está numa fase de decisão grande em termos de emprego.

Mas, temos vindo a pensar e resolvemos começar já a pensar a sério num filho. Até, porque eu tenho medo que da próxima vez acabe por perder também e de descobrir que tenho um problema qualquer e que o tempo ande demais e depois já não o possa tratar. Eu sou novinha (30 anitos - ainda uma criança!), mas se espero mais 4 ou 5 anos pode começar a ficar tarde.

Entretanto, tratei de actualizar o meu seguro, de forma a cobrir também obstetrícia, porque a experiência que eu tive na maternidade e médicos do sistema público deixaram muito a desejar. Prefiro, pelo menos, também ter a opção do privado sem ter de gastar muito. Triste de quem é pobre neste país...

Os três ciclos já passaram, mas como apanhei uma infecção, estou a acabar de a curar e só vou voltar a tentar a partir do próximo mês.

Ainda me estou a habituar a isto de ter um filho. É uma grande aventura! Só espero que tudo corra bem da próxima vez. Não sei como vou reagir se tornar a perder; não sei se tenho força para isso...

Mas eu vou de cabeça erguida e com pensamento positivo. Pelo menos, já conheço bem os sintomas de aborto e não vou deixar que nenhum médido os ignore.

As histórias  parecidas com a minha, que li nos blogs, que tiveram fins felizes ajudaram-me muito. Daí eu ter decido também ir partilhando a experiência. Além de que eu sinto necessidade de falar sobre isto e nem sempre tenho com quem.

 

Em 2009, ou vai ou racha! É este ano que a minha vida toma rumo ......................(ou não).

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